Alexey Makhiboroda

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Superfície da Profundidade Não recebi formação académica em artes plásticas. O meu percurso artístico desenvolveu-se fora das estruturas formais de ensino, através da observação, da experiência pessoal e da necessidade de construir uma linguagem visual própria. O meu trabalho nasce na fronteira entre a intuição e o controlo. Interessa-me o momento em que a superfície deixa de ser apenas uma aparência e se torna portadora de memória, presença e experiência interior. A textura, o gesto, a cor e o vazio funcionam como elementos de uma linguagem que procura revelar aquilo que dificilmente pode ser expresso por palavras. A exposição Superfície da Profundidade parte de um paradoxo: aproximamo-nos da superfície, mas encontramos profundidade. O exterior transforma-se num espaço de acesso ao invisível — às emoções, às dúvidas, ao tempo e às marcas deixadas pela experiência humana. A ausência de uma formação académica não é apresentada como uma limitação, mas como uma condição que permitiu preservar uma relação direta com o processo criativo. As obras reunidas nesta exposição não procuram demonstrar domínio técnico, mas propor um encontro com estados de presença e perceção. Cada trabalho constitui um vestígio de um movimento interior. Não apresenta respostas nem narrativas fechadas. Pelo contrário, convida o observador a desacelerar, a permanecer e a descobrir as suas próprias camadas de significado. Superfície da Profundidade é um convite a olhar para além do que é imediatamente visível e a reconhecer que, por vezes, a profundidade se manifesta precisamente naquilo que parece ser apenas superfície.

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